8 de mai. de 2008

A carta (História)

E uma noite chuvosa de 1997, a catedral de Londres badalava o sino da meia noite, enquanto eu, Marth Way, escrevia uma matéria para o jornal onde trabalho, “London press”. Cansado resolvi ir a cozinha comer algo quando, descendo as escadas, ouvi um barulho de prato se quebrando. Desci as escadas cautelosamente. Ao chegar a cozinha vi um prato esfacelado no chão e a porta semi aberta. Ainda com medo subi as escadas, fechei meu laptop e fui dormir.


Às sete horas da manhã, do dia seguinte levantei da cama e fui à cozinha. Ao chegar vi pratos quebrados no chão, as portas dos armários abertas e uma trilha de sangue que me levou a sala. Entrei em pânico, meu coração começou a bater tão rápido querendo explodir, mas aquela sensação de curiosidade me fez caminhar, com minhas pernas tremulas até a sala.

Na sala a trilha continuava até chegar atrás do sofá. “O que eu faço?!” Me perguntava naquele momento. Meu coração batia cada vez mais rápido, minha mão tremula se aproximava do sofá, meus olhos nem queriam abrir, minha perna? Nem sentia. Cada centímetro que andava me deixava mais angustiado e o ambiente ficava mais aterrorizante. Quando finalmente vi o rosto do morto..., Não me era familiar. Ah sim! Havia me lembrado. Uma pessoa famosa de alto luxo e importância na sociedade. Sim, se é o que estão pensando, Madaleine Jasper estava na minha frente, morta e pálida. Aquele rosto dócil e elegante que passava na televisão já não era o mesmo. Seus olhos, congelados olhavam para o nada, e eu a olhava, em choque abismado, deslumbrado. Como alguém poderia matar uma pessoa dessas? Perguntava-me. Aquela sensação de curiosidade já não me preenchia, mas a sensação de pavor e terror tinha tomado o seu lugar.

O que fazer agora? Tinha um corpo em minha sala, morto e não podia fazer nada, pensei em fugir dali, não, Vou ligar para a policia. Peguei o telefone que estava ao lado do sofá liguei para a policia a relatei tudo o que tinha acontecido. No final da ligação. Vi a burrada que fiz, tinha chamado a polícia! Isso não poderia ter acontecido, seria preso e todos achariam que fui eu que matei Madaleine, isso fez com que meu coração começasse a bater cada vez mais rápido. Entrei em pânico, arrumar as mala, comprar uma passagem de avião e desaparecer do mapa?! Não, isso não poderia mais acontecer, pois em uma fração de segundo os policias arrombaram minha porta e me seguraram com força. O que pensar nessas horas? Se debater? Tentar escapar? Não parecia uma boa idéia, iriam pensar que queria fugir para não ser preso, a única coisa a fazer era deixar me segurarem. Pensava que iria ser levado para a cadeia, mas isso não aconteceu. Só me seguraram e me colocaram contra a parede.

Depois de quase 40 minutos em pé, sem poder mexer nenhum músculo, um policial me pegou pelo braço e me levou até a cozinha.Olhei em volta e vi vários policias vasculhando minha casa e pegando evidencias para a investigação. O policial falou para me sentar na cadeira da cozinha, sentei-me com calma e serenidade. Ele olhou envolta e me perguntou o que havia acontecido ali, contei a história verdadeira, de cabo a rabo. Ao dizer a ultima palavra um policial bateu na porta e nos disse: “olhem o que achamos no quarto da casa” e nos mostrou uma sacola com uma seringa dentro. “Aleluia, estou salvo!” Pensei. Os policiais haviam achado uma pista em meu quarto, enquanto estava na cozinha. Bruscamente seguraram meu braço e arregaçaram minha blusa e adivinha o que estava marcado no meu braço. Sim um furo, compatível com o do tamanho da agulha da seringa. Resolveram fazer uma investigação sobre o que havia acontecido naquela madrugada.
Durante as investigações Muitas pessoas vieram protestar na frente de minha casa, mas não me importada. Interrogaram-me durante quase 3 horas, e durante essas três horas somente um homem me interrogava, um homem estranho, de voz grosa e careca. As perguntas feitas por ele não me assustaram nem me impressionaram, enquanto eu só dizia a verdade. Em minha casa nenhuma impressão digital, nem mesmo faca que havia sido usada pelo assassino, tinham achado, parece que o objeto usado para matar Madaleine havia sido levado embora. Um casaco, de cor preta, cheio de sangue, foi achado em uma lata de lixo a 3 km da minha casa e por sinal o casaco era da Madaleine, os policiais analisaram o casaco de ponta a ponta, acharam uma impressão digital que não batia com a de madaleine, mas batia com a de um homem, ex-assassinho chamado ungred humbert, acharam a ficha criminal dele, porem lá mostrara que ungred avia morrido a 2 semanas no paredão da policial. Nenhum vestígio me apontava como assassino, nem nenhum vestígio nos levava ao assassino verdadeiro.
Dois meses depois, o final da investigação chegou. Os policias e a suprema corte não chegaram a nenhuma conclusão e o caso foi dado como não resolvido, mas a história não acaba aqui. Os policias não chegaram a nenhuma conclusão, nem mesmo conseguiram rastros do suporto assassino, mas quem disse que eu não tinha algumas informações? Como Jornalista, vi que muitos assassinatos e roubos estavam acontecendo recentemente depois do que aconteceu em minha casa. Será que isso seria uma pista, um vestígio que me levaria ao assassino? Não, isso não me levou a nada até o dia em que recebi “a carta”.
Em uma quarta feira de cinzas recebi uma carta, com um envelope de couro, coberta de milhões de selos, de vários paises, e com um aspecto muito ruim. Dentro do envelope achei um livro pequeno, com capa dura, parecendo a bíblia, que deixei de lado para ver depois, e também dentro do envelope, uma carta que abri e comecei a ler.As letras miúdas dificultaram a leitura, mas não me impediram de ler o que estava escrito naquele papel velho. A carta dizia o seguinte:

“Olá John, meu caro amigo. Esses dias fiquei muito feliz em ter participado daquele ritual satânico que fez em sua casa. Agradeço muito por ter sido convidado, alias aquele pacto de sangue que te falei, aquele que ficou a cicatriz, fiz durante a guerra dos pactanistas Naquele tempo participei de alguns confrontos, mas nem todos. Me alistei por burrice, queria mostrar que era melhor do que todos. Muitos dos meu amigos morreram na guerra, mas dane-se, estou aqui não é? Isso é o que importa. Bem, só quero avisar uma coisa antes de finalizar essa carta, da próxima vez que fizer um ritual na sua casa acho bom trazermos meu livro satânico, Fique com ele em sua casa, estou te dando.



Assinado: Jonatam Bongófi 1945”


Aquelas palavras me impressionaram e assustaram ao mesmo tempo. A carta era de 1945, isso justificava os selos, tantos anos até aqui, deveria ter passado por varias mãos. “Mas o que fazer?” Quando me fiz essa pergunta meu coração bateu mais rápido. No inicio pensei em a deixar de lado e a enviar de volta, mas porque não pensar que era um sinal, daqueles que aparecem nos filmes, por que não? Peguei o telefone, mas não tive coragem de ligar para a policia, queria resolver aquele caso sozinho.
No dia seguinte resolvi começar a ler o livro que encontrei no envelope, mas as palavras eram tão horríveis e secas que não tive coragem de continuar aquela leitura.
Já alguns dias depois meu pai me convidou para ir jantar na casa dele, para poder comemorar seu aniversário de 50 anos, seria uma grande festa, bem divertida e animada onde eu poderia me acalmar e esquecer, por um tempo, aquela história de assassinato. Iria ser uma festa divertida... Porem o destino decidiu que não. Às oito horas da noite, cheguei na casa do meu pai, mas não o vi, só vi carros de policia e luzes vermelhas. Meu pai havia sido seqüestrado.
Ao longo de duas semanas recebia sinais, coisas estranhas por cartas, amigos e parentes. Achava tudo aquilo estranho e segui todos os sinas, escrevia tudo sobre cada um deles com todos os detalhes que se possa imaginar. Até que um dia um desses misteriosos sinais me levaram a frente de uma casa. Estava na rua “Jonatam Bongófi”, o nome do autor da carta misteriosa. A casa estava caindo aos pedaços, cheia de mato e de cor escura. Aquela casa me parecia familiar, mesmo com o mato e com partes quebradas a reconhecia, era o antigo cativeiro do ex-assassino Ungred Humbert. Esse local havia sido descoberto em 1991 quando ele foi julgado e levado a prisão de sei anos para depois morrer no paredão da policia. Meu coração pulava e meus sentimentos chagavam ao extremo, não acreditava no que via, “o que fazer em uma hora dessas”, pensava. Não podia ficar parado ali e deixar tudo de lado, terminar aquela história simplesmente naquele momento. Segui em frente e entrei na casa. Tudo parecia aterrorizante, aquele lugar, as paredes, o rangido da porta o silêncio... Estranho. Atravessando a sala cheguei ao jardim de trás, cheio de mato também, mas principalmente com flores caídas e uma coisa que chamava a atenção, um grande buraco no meio do chão. A senção de curiosidade voltou a preencher meu coração, queria ver o que estava lá dentro, mas ao mesmo tempo não queria, temia que tivesse alguma coisa estranha, horrível ou assustadora ali, mesmo assim continuei seguindo em frente, com minhas pernas tremulas e minha pulsação acelerada segui até o buraco e estiquei meu pescoço. O que tinha dentro do buraco? Bem ossos de corpos, provavelmente de mulheres, e em cima de todos os ossos um homem, ainda com o corpo não decomposto. Sim, Ungred humbert, pálido, fétido e gelado. Aquele rosto me apavorou e me levou ao delírio, eu como repórter sabia que o corpo de Ungred havia sido enterrado em Oxford, mas como o corpo dele poderia ter parado ali? Isso, eu não sabia , mas sabia que aquela hora era ótima para ligar para a policia. Sai da casa peguei meu celular, disquei os números, o telefone dava em fora de área liguei novamente, fora de área de novo. Corri até o final da rua peguei um táxi e corri para casa, aflito. Nem mesmo no carro minha paciência estava tranqüila.
Enquanto o carro andava minha mente girava, o assassinato de Madaleine Jasper, a carta, o livro, meu pai, os sinais e agora a casa, tudo começava a se juntar, começava a entender tudo, mas já não dava mais tempo para pensar, havia chegado em casa. Sai correndo do táxi e corri para a porta da frente, a abri e uma surpresa estava me esperando. Por mais incrível que pareça o que estava na minha frente estava vivo, em pé e com os olhos abertos, Ungred Humbert. Fechei a porta bruscamente na cara dele, corri para a porta dos fundos, a abri e entrei na cozinha. Lá, estava vazio e calmo, isso não deveria estar acontecendo, “Ungred deve ter sido só uma coisa da minha imaginação” Pensei, quando em uma fração de segundos ele apareceu, levei um susto. Suas pernas começaram a se direcionar a mim, fazendo com que fica mais apavorado do que eu estava. - Podem estar pensando que eu sou um homem sentimental e assustado, mas e você? O que sentiria em um momento desses? – Nada mais importava para mim, só minha vida. Ao ver a tabua de facas, fiquei por alguns segundos pensando “será que tenho coragem para fazer uma coisa dessas?” Sim. A poucos centímetros de Ungred me estrangular peguei uma faca e finquei-a em seu coração com tanta raiva e força que meu corpo já não agüentou mais, desmaiei.
Três horas depois acordei deitado no sofá de minha sala. Em minha volta policias andavam e sirenes tocavam, ainda estava um pouco abatido, quando finalmente alguém disse “Ele acordou” e veio falar comigo, essa pessoa era o mesmo policial que havia falado comigo no dia do assassinato de Madaleine Jasper. Ele me contou toda a história que tinha acontecido enquanto estava desmaiado e dentro da casa, e agora é minha função lhes dizer.
Quando abri a porta da frente o taxista viu um vulto na porta e depois me viu fechá-la e correr para os fundos, isso o assustou fazendo com que ele ligasse para a policia. Quando eu já estava desmaiado a policia chegou e me encontrou no chão ao lado de Ungred. Sobre meu pai, bem ele não teve um final feliz, nem ele nem eu. Meu pai havia sido trancado em um cativeiro e morreu por falta de alimentação. Os policias até chegaram a levar ele ao hospital, mas o corpo dele não resistiu.
No final de tudo meu pai foi enterrado um dia depois de sua morte e hoje em dia, eu já com 80 anos, agradeço por não ter sofrido tanto até aqui.

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